segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Publicada em 30/01/2012 - 14:02
Opiniões divergem, mas o fato é que Rita Lee é um mito e não poderia ter ecoado melhor na eternidade
Por: Vinicius Canova
Confesso que não peguei a fase ‘boa’ de Rita Lee, se é que se pode dizer que uma pessoa risonha, feliz e serelepe aos 64 anos de idade tenha tido, em toda sua carreira, uma única fase boa. Minha mãe, a dona Lisete, que entre seus livros e discografias sempre prima muito pela qualidade, elegeu Rita, há muito tempo, como rainha do Rock n’ Roll (ela e a torcida do Flamengo); eu, filho, não poderia discutir isso com ela – correndo, inclusive, risco de desdenhar do 4º mandamento (segundo o catolicismo), não?

Brincadeiras à parte. O que importa dizer é que Rita deverá ser lembrada, mesmo após pisar pela última vez nos palcos – segundo declarações da própria cantora – por uma vida vivida a mil por hora, na maior intensidade. Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, acredita que a despedida de Rita Lee tenha sido lamentável por sua postura indecorosa com os Policiais Militares de Aracaju, durante o seu último show. Postura duramente criticada por quem corrobora com os dizeres de Azevedo e acredita que as leis e a ordem devem ser respeitadas, sem exceção a políticos, artistas ou seja lá quem for. Apesar de gostar muito dos textos de Reinaldo – os acho muito bem embasados, por sinal – devo discordar do arquiinimigo do Partido dos Trabalhadores (não em relação a respeitar leis, ou manter a ordem, mas sim no que diz respeito a criticar a truculência de qualquer agente autoritário).

Toda a despedida é repleta de emoção, sensibilidade, alegria e tristeza. É uma mescla de sentimentos muito fortes, inclusive, para quem já subiu no palco tantas vezes e viveu uma vida toda contemplando cabeças e braços mexendo ao som do que profissionalmente se pautou sua vida: música! Se há exagero por parte da cantora em ofender os profissionais da área de Segurança Pública, há também exagero por parte das autoridades locais ao convocarem Rita Lee para prestar depoimento em relação a um possível desacato ocorrido.

O Brasil ainda é um país em que liberdade de expressão tem um valor inestimável – a menos, claro, quando as autoridades se sentem ofendidas, destratadas e desmoralizadas perante a opinião pública. Do contrário, todo o profissional de imprensa ou qualquer manifesto que fale bem ou exalte as qualidades de quem possui a tal autoridade, terá o mais amplo direito e respeito na hora de falar; mesmo que o discurso seja verborrágico, mentiroso e exagerado.

São por esses e outros motivos que, por mais errada que tenha sido a postura da rainha Rita Lee - no quesito ofensa -, digo que sua retidão em relação a tudo que fez durante sua carreira continuou ali, de forma espontânea, sem que ela necessitasse se curvar a quem, por ventura, estivesse fazendo mal a seus fãs. Por este ímpeto irrepreensível que, sem sombra de dúvidas, nossa eterna musa do Rock n’ Roll não poderia ter deixado de ecoar na eternidade de forma mais sublime.

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